sexta-feira, 7 de junho de 2013

Um homem sob medida- Prologo

Prólogo
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Segunda – feira, 20 de abril

         O Dr. Jason Salomon Golding, membro eminente da Associação Norte-Americana de Psicologia e autor de O Recondicionamento da Vida em 21 dias  e  Afinando-se para o Amor, não poderia imaginar um infortúnio maior.
         - É muita falta de sorte – repetia, com a muita  pena de si mesmo.
         Sentia-se solitário, mas de um jeito romântico, lamentoso. Talvez devesse escrever um livro sobre isso, que teria como titulo  O homem solitário. Ficou olhando para o vazio, pensando em nomes de capítulos e títulos alternativos, mas logo se lembrou da falta de sorte a chateação venceu a melancolia. Deu um empurrão calculado na mesa do hospital; o suficiente para agitar o pote de gelatina verde-brilhante e mostrar a Mônica que ele estava sofrendo, mas não para vira-lo e provocar uma verdadeira bagunça.
         -Ah, francamente, Jay... - Mônica o encarou por sobre o ombro magro. Estava observando o trafego pela janela, decerto lamentando a perda das compras e do almoço no Four Seasons. Enquanto isso ele estava ali, morrendo.
         - Entre todos os azares, ter logo um ataque cardíaco- lamentou – se ele outra vez.
         Estivera contando o infortúnio aos paramédicos, à esposa, aos enfermeiros da emergência, a qualquer um que quisesse ouvir, desde o momento em que levara as mãos ao peito e caíra dramaticamente de joelhos no pódio do Décimo Simpósio Anual de Redução do Estresse, para o qual viera de São Francisco a Nova York, encarregada da palestra principal. Acabara de ser apresentado- sorriu de novo, ao recordar - e de agradecer ao presidente da ANP por suas palavras gentis, quando sentiu a dor lancinante  a lhe esmagar o tórax. Ele havia caído com as mãos sobre o peito, fazendo uma careta por causa da dor que, apesar de real, agora já se fora.
         - Haverá outras conferencias – disse Mônica, afastando do rosto uma madeixa de cabelos castanho-avermelhados, com um dedo cuja unha fora pintada em estilo francês.
         Jay suspirou fundo. Pegou a brochura da conferencia na mesinha de cabeceira e a examinou, permitindo-se experimentar toda a profundidade do seu desapontamento, Seu rosto o encarava de volta do panfleto. Ele havia assumido uma posição sombria na foto, com o queixo apoiado reflexivamente na mão. Constatou de novo como o transplante capilar tinha preenchido bem aquele trecho perturbador na testa. Não era farto, mas também não era ralo. Agora que podia avaliar o impaco causado pela fotografia, estava satisfeito por ter deixado o editor convencê-lo a coloca-la na orelha de seu livro mais recente, Celebrando a mim mesmo.
         Passou os dedos pelos cabelos novos e foi golpeada outra vez pelo pesar dessa oportunidade desperdiçada. Haveria outras conferencias, mas perder logo aquela fora um golpe doloroso. Mônica estava errada ao insinuar que o motivo de ele ter aceitado o convite era se mostrar diante de pessoas formadas nas escolas que o haviam rejeitado. Mesmo assim, ser convidado a fazer a palestra principal não deixava de ser uma espécie de vingança. Conseguiria, enfim. Dois livros, cada um com seis meses na lista de Best- Sellers do New York times, e o terceiro  a ser lançado no mês seguinte. Ele, Jason Golding, o convidando para falar numa conferencia mais prestigiosas da AAP. Agora, isso. Era muito injusto.
         - Oitenta e cinco por cento de sua  artérias coronárias estão entupidas- disse o cardiologista.
         A cirurgia aconteceria no dia seguinte, no Centro Medico de Universidade de Nova York. Justamente quando ele deveria estar terminando a palestra principal. De fato, era uma coisa incrível.
         Jay enxugava a testa. Devia estar fazendo trinta graus la dentro.
         - Mônica, peça a alguém para ligar ar. Estou sufocado.
         -Esta ligado, querido. Tente relaxar e vai se sentir melhor. – Ela ligou a televisãomcom o controle remoro que estava preso na cama hospitalar, passou por alguns canais e começou a assistir a Holywood  Squares.
         Monica parecia uma criança, assistindo à droga da TV, enquanto todo o seu trabalho ia para o inferno numa cesta de lixo.
         - Você cuidou das coisas que pedi, Monica? – perguntou rispidamente- Teve noticias daquele empreiteiro?
         - Qual, querido? – Ela cruzou as pernas compridas, com a tranquilidade graciosa que um dia o atraia.
         - Aquele que o Metzger recomendou, de Petaluma.
         -Acho que ele vai dar uma olhada no consultório amanhã- Monica mencionou o controle remto. O seriado de Whoopi Goldberg foi substituído por Ricky Lake. Monica assistia atenta, com os lábios rosados ligeiramente entreabertos.
         - Bom, encontre o fax do hospital e peça para o sujeito me mandar um fax de volta com a avaliação, de imediato. O orçamento dele é o ultimo; quero começar logo.
         Monica ergueu ligeiramente o queixo, um gesto que significava concordância, sem tirar os olhos da televisão.  Jay balançou a cabeça.
         - Quanto mais rápido ajeitar o consultório, mais cedo poderemos começar com os seminários – esclareceu ele, e teve como resposta outro movimento de queixo.
         Pensou nos seminários, por fim animados. Eles multiplicariam seus rendimentos.
         - Pense nisso, Monica- falou, mais para si mesmo, uma vez que ela estava envolvida nas confissões de gêmeos idênticos que haviam trocado de parceiros.- em vez de receber um paceinte cobrando duzentos dólares a hora, posso atender a dez ou 12 de uma só vez e cobrar de todos.
“E sem ouvir problemas individuais”, lembrou-se. Sem crises. Sem telefonemas no meio da noite. Franziu a testa, lembre-se  de um detalhe de ultimo minuto que tinha deixado por conta de Monica.
- Monica, você disse a Angie para trocar a mensagem da secretaria eletrônica?
- sim... Telefonei para o consultório pessoalmente. Agora a mensagem diz que quem tiver alguma emergência deve telefonar para o  Dr. Hammond, e todos os ouitros devem deixar recado. Angie disse que verificaria os recados todos os dias de casa.
- Claro- disse ele, sem acreditar sequer por um segundo.
Mesmo assim, era menor dos males pagar a Angie um salário integral para ficar parada durante três semanas enquanto o consultório era remodelado, ou confiar nela para retornar alumas ligações. Não que Jay ficasse chateado por perder alguns telefonemas. Ele sentia uma profunda compaixão pela humanidade como um todo. Visualizava-a como  ovelha sem pastor, massas arrastadas, esse tipo de coisa. Mas quando telefonavam um de cada vez e gemiam em seu ouvido, já era outra coisa.
Por isso os grupos eram uma ideia tão bela. Sentiu a empolgação invadi-lo de novo. Chamaria sua oficina de Experiência Genesis. Recomeçar a vida. No iniciaria reuni-los num circulo, depois começaria a junta-los em pares para fazer exercícios ou simulação de renascimento na banheira quente. Ele so precisaria andar pela sala  e se certificar de que não houvesse emergências psíquicas. E quanto antes as paredes internas do consultório  fossem derrubadas e a banheira instalada, mais cedo ele começaria a trabalhar com os grupos.
- Qual é mesmo o nome do empreiteiro?
- São dois sócios, um homem e uma mulher- disse ela, remexendo a bolsa- Aqui está. – Ela pegou o cartão de visitas e lhe entregou:

JOSEPH JONAS E MILEY CYRUS, JONAS-CYRUS CONSTRUÇÕES E SERVIÇOS GERAIS.

Sobre o logotipo de bom gosto mostrando um esquadro de pedreiro, e um lema em letra floreada.


Transformamos seu sonho em realidade


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Desculpe pela demora, hoje o dia foi corrido. Amanha posto o resto do prologo e do primeiro capitulo. 

Beijocas e comentem...

10 comentários:

  1. Eu estou um pouco confusa,mas nada que um outro capítulo não resolva rs!
    Amor você faz divulgação?Se fizer,repassar http://jemifacingobstacles.blogspot.com.br/ ?

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    1. Confusa com o que fofa?
      suahsua
      Pode perguntar..
      Estarei respondendo na medida do possivel...
      Claro que divulgo sem problema...
      Tambem amo vcs.. XD

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  2. Okay..
    Conseguiu me deixar completamente curiosa..u.u
    quero só ver..
    Ham..
    Posta Logoo
    Beijinhoos
    <3

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    1. KKKKKKKKKKK
      Essa era a intenção...
      ;)Bjs

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  3. Super tudo!!! Vc escreve mt bem. Parabens!
    E claro q estou super hiper curiosa!
    Bjinsss

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    1. Obrigada, fofa..
      Mas essa historia não é minha...
      É uma repostagem... ;)
      Que bom que esteja curiosa..
      kkkkkkkkkkkkk
      ~sou má~
      ;)

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  4. Wow gosh =o
    Amei! Só não entendi, tipo, quem é o Dr. Jason e o que ele quer com empreiteiros... Humm, mas só ver os nominhos lindos do Joe e da Miles no cartãozinho me anima hsuahsa'
    Só preciso ler a outra parte mais... Tá perfeito!
    Beeijos <3

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    1. Você vera a loucura que o psicologo quer com os empreiteiros....
      kkkkkkkkkk

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